 |
| Voar é preciso: escolha sua companhia aérea, sua aeronave, destino e boa viagem. |
|
AOL - 21:56 - 31/10/2003
Senhores passageiros, apertem os cintos
Aficionados por aviões montam empresas aéreas e esquadrilhas virtuais
Quer curtir um pouco disso tudo no seu computador? Baixe agora o 'Dawn of Aces 2.5'
Por Douglas Portari, da Redação AOL
Os amigos chamam o sujeito para uma balada após o
expediente, mas ele, um comandante, responde que
infelizmente tem um vôo ainda naquela noite. Tudo bem,
normal, não é? Mas em vez de se dirigir a um aeroporto
qualquer, o cara vai para casa, senta-se ao computador
e, de lá, tudo pronto, dá boa noite aos passageiros,
manda afivelar os cintos e levanta vôo. Horas depois,
pousa em seu destino. Desliga o computador e vai dormir
tranqüilo, contente por mais uma bela viagem.
Há, claro, alguns vôos menos turísticos. Há quem
prefira subir em caças como o Zero ou Messerschmitt,
voltar à Segunda Guerra Mundial, e participar de
combates sangrentos. Com hora marcada, é claro, porque
todo mundo tem que trabalhar no dia seguinte... Assim é
a vida dos aficionados pelos simuladores de vôo, gente
que curte um passeio pelas alturas e se satisfaz no
espaço virtual.
Neste mundo, o bacana não é apenas pegar seu
Flight Simulator (software da Microsoft mais
usado nessa área) e sair voando por aí. Tem quem monte
esquadrilhas e até companhias aéreas com direito a
saquinho de vômito de verdade!! Hobby é hobby e ninguém
tem nada a ver com isso. Quem se preocupa com o
bem-estar e possíveis enjôos virtuais de seus
passageiros é a Ceaero - Linhas Aéreas Virtuais.
Criada em 1998, a empresa possui hoje um quadro de
‘funcionários’ com centenas de pilotos. No site da
Ceaero, você encontra o heróico histórico da empresa que
nasceu no Ceará em 1963 e de vôos locais e regionais
passou a operar em linhas de todo o Brasil. Tudo fake,
claro. A Ceaero se gaba de ser uma das primeiras e
maiores VAs (Virtual Airlines) do Brasil, com direito a
revista de bordo e tudo, a NaRede.
Para o vice-presidente executivo da Ceaero, Henrique
Pechman, um engenheiro de Sistemas de 52 anos, e ‘piloto
frustrado’, a Internet acrescentou uma coisa aos
simuladores de vôo: um propósito. "Você tem uma empresa,
passa a ter horas mínimas de vôo, horários, tem que
levar o aparelho certo para o aeroporto tal. É claro que
tudo tem que ser divertido, é um hobby", explica.
Cabeça nas nuvens
Hobby levado a sério. Pilotos fazem seus vôos e
depois passam relatórios da viagem, inclusive, com
incidentes falsos como bêbados incomodando passageiros.
No site da empresa, você pode baixar cenários novos,
aviões da frota, enfim, é um delírio para quem curte os
simuladores. Quanto aos saquinhos de vômito, foi apenas
uma brincadeira de um amigo, que imprimiu alguns com o
logo da empresa.
Comparado aos cursos de aviação, os simuladores, como
o Flight Simulator 2004, e seus apetrechos como
manches para PC e outros, são muito baratos. Os
softwares e periféricos não saem por mais de R$ 200 (a
não ser claro que você queira um manche de R$ 2 mil, que
existem!). Ajuda bastante ter um computador com banda
larga e uma memória compatível. Mas não é preciso muito.
Dá pra rodar um simulador em qualquer lugar.
Apesar de possuir um dispositivo para adiantar o
tempo, se preferir, você pode optar por uma viagem com
tempo idêntico ao mundo real. Ou seja, você pode levar
um dia e pouco para chegar ao Japão. Pechman, por
exemplo, levou oito horas para ir de Nova York a São
Francisco. Bem, depois da decolagem, ele optou pelo
piloto automático e foi dormir. Tudo tranqüilo, quando
levantou, descobriu que o avião havia caído por falta de
combustível. Se alguém desistir de voar com ele, é
compreensível...
Tripulação
Mas não pense que só quem não conseguiu virar piloto
procura os simuladores. Muitos pilotos, aposentados ou
na ativa, e jovens aspirantes fazem parte da horda que
roda esses jogos em casa. Tem piloto que mesmo depois de
trabalhar o dia todo, agüentar jet lag, subir e descer
nos lugares mais estranhos do mundo, chega em casa e
ainda volta a voar. O co-piloto de Boeing 737 Christian
Dal Mas, 34 anos, já fez isso.
"É claro que depois de um dia estressante você quer
desligar. Mas hoje, por exemplo, eu jogo como válvula de
escape", conta. O piloto tem 16 anos de vôo real e um
ano de pilotagem virtual. "Sempre gostei de joguinhos e
tal e quando vi em que nível estão os simuladores fiquei
de queixo caído", conta. Enquanto conversava com a
reportagem da AOL, Dal
Mas ‘decolava’ de Guarulhos (SP) para La Paz, na
Bolívia.
Experiente e com conhecimento dos procedimentos reais
de vôo, Dal Mas garante que muitos ‘pilotos virtuais’
poderiam levar uma aeronave de verdade de um ponto a
outro, de tão aplicados. "Tenho certeza que se levasse
alguns amigos ao simulador da Varig, por exemplo, eles
se dariam muito bem", afirma. E essa febre pelos vôos
virtuais também atinge as crianças.
Gabriel Braga Dal Mas, oito anos, filho de Christian,
já dá suas voltinhas. Enquanto em sua sala, a garotada
prefere um PlayStation, ele joga os simuladores, apesar
de gostar de brincar de ‘terrorista’. "Eu gosto de bater
toda hora. De preferência em prédios", confessa. Ainda
bem que, por enquanto, Gabriel não pensa em seguir os
passos, ou os vôos, do pai. "Não sei o que eu quero ser
quando crescer".
Guerra virtual
No front, um site brasileiro muito conhecido é o do
27º
Esquadrão Virtual de Combate Falcões da
Noite. Criado em 2000, ele reúne 13 pilotos
de caças que se unem para combates no famoso F22
Raptor ou o preferido IL-2 Sturmovick, de
combates na Segunda Guerra Mundial. O esquadrão conta
com hierarquia e tudo e os pilotos vão subindo de postos
ou ganhando menções honrosas por destreza ou ações
corajosas. Como se vê, a comunidade de vôos
virtuais é grande.
Tanto que já conta até
com portal próprio de informações: o AeroVirtual.
Criado a princípio como uma revista do setor, o site
hoje com cinco anos é um ponto de encontro dos pilotos.
Há reviews de lançamentos de novos softwares da área,
desde cenários até aeronaves, além de um fórum com até
400 pessoas/dia. "Acho que hoje temos umas 30 VAs no
Brasil, pelo menos cinco grandes, conhecidas", garante
Felipe Lima, 27 anos, engenheiro de Computação e web
designer do AeroVirtual.
Portanto, nas próximas férias, não diga que não dá
pra viajar, que a grana está curta e aquele velho
blá-blá-blá. Procure sua companhia aérea virtual,
escolha um destino, aperte os cintos e boa viagem. Ou
procure um emprego, bons pilotos são sempre bem-vindos.
Abaixo, segue uma lista com sites relacionados para você
saber mais sobre as VAs.
Noble Air (a primeira companhia aérea virtual do mundo)
Ceaero
Aerosul
Falcões da Noite
AeroVirtual
|