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Para quem o texto é a única coisa que resta.

"Alcides Barbosa não precisava ter morrido para se tornar uma lenda - foi a primeira coisa que pensei quando soube do trágico acidente que lhe custou a vida. Não que ele aceitasse o encargo. Quem o conhecia, sabe que ele era tímido e excessivas bajulações o constrangiam. Mas sim, o reconhecimento justo e digno e as muitas amizades que granjeou no meio da simulação eram seu combustível.

O Alcides era um cara do bem, de bom caráter, dedicado ao extremo a tudo que fazia e pródigo no sentido de apoiar a quem queria fazer algo também.

Não esqueço de dois momentos que passei com ele. Quando eu era presidente da Ceaero, ele por várias vezes me ajudou com os cenários, criando exclusivamente para nós (*), inclusive, um dos raros cenários de aventura utilizados no Brasil. Quando a Ceaero teve início, entretanto, eu resolvi por um período não utilizar os cenários dele, que na época, já eram considerados os melhores do país e sofri uma avalanche de críticas. O primeiro elogio veio justamente dele, dizendo-me para não ligar e ir em frente que meu trabalho era bom. Depois, em 2000, quando da organização do ENAV do Rio de Janeiro, eu que à época era um dos nomes grandes da simulação na cidade, por vários problemas, não pude ajudá-lo em nada no árduo trabalho de tornar viável o evento. A única coisa que fiz foi criar uma marca. Ele, apesar da minha ausência, me tratou sempre com imenso carinho e usou a marca que eu fizera, dizendo-me que "qualquer ajuda era muito bem vinda e melhor que nenhuma ajuda".

A última vez que o vi foi no encontro para inaugurar o cockpit do Paulo Figueiredo em Petrópolis. E lá estava ele, orgulhoso da parte que lhe coubera naquele trabalho. Depois daquele dia, não o vi mais, afastado que estou da simulação.

Quis o destino que, ironicamente, tudo aquilo com o que ele mais teve carinho na vida - a altura, os metros, o cenário, o chão - fosse justamente levá-lo de nós. Quem sabe, para o segundo lugar que mais amava: o Céu."

MarcosVP.



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