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![]() Voando alto a serviço da diversãoSimulação de vôo ganha mais vida e seriedade com as companhias aéreas virtuaisVoar... Um velho sonho de praticamente todo garoto que, brincando no quintal, fica encantado quando vê lá em cima um avião cruzando o céu. Se desde pequeno você sonha em pilotar uma aeronave - mas o tempo passou e nunca teve oportunidade - você pode juntar-se a milhares de pessoas cuja jornada de trabalho passa longe de ser num aeroporto ou num avião qualquer, mas que, em suas horas vagas, são pilotos ‘profissionais’ e ‘trabalham’ para companhias aéreas virtuais. Para fazer seus vôos e cumprir as rotas estipuladas pelas empresas da qual fazem parte, os pilotos virtuais utilizam programas simuladores de vôo para PCs - o mais usado é o Flight Simulator 98, da Microsoft. Associados a add-ons (arquivos adicionados ao software original), os programas tornam-se mais próximos da realidade, disponibilizando para as aventuras aéreas detalhes como os aviões das próprias empresas e os cenários das regiões por onde elas operam. Fortaleza, Aracati, Juazeiro do Norte, Sobral, Granja, Beberibe e outras dezenas de cidades cearenses e de todo o Brasil podem ser instaladas no simulador. Assim, o usuário viaja virtualmente pela própria região onde vive. Pilote com cuidado, ou quem sabe acabará caindo em cima da sua própria casa. Assim como na vida real, estar devidamente no comando de um avião no simulador requer habilidade e conhecimento técnico. As companhias aéreas virtuais, também chamadas de VAs (Virtual Airlines), possuem toda a estrutura de funcionamento semelhante à de uma empresa aérea de verdade, mas não têm fins lucrativos (pelo menos no mundo real). Vôos diários para várias cidades, setor de recursos humanos com a lista de pilotos e suas horas de vôo, frota pintada com a logomarca da empresa e até revista de bordo que pode ser lida em seu site na Internet. Estas são algumas características da Ceaero, uma VA cearense, considerada a segunda maior do país. Como não poderia faltar a uma empresa genuinamente cearense, suas aeronaves têm desenhado na cauda um dos símbolos do Ceará, a jangada. A Ceaero foi criada em março de 1998 pelo estudante de marketing Marcos Vasconcelos, que reside no Rio de Janeiro e de lá administra a companhia. Há mais de um ano ‘no ar’, a Ceaero (http://www.ceaero.com.br) já cadastrou cerca de 400 pilotos e tem uma média de 60 inscrições por mês. ‘‘Temos todos os perfis. Há pilotos de todas as regiões do Brasil, de Portugal, Estados Unidos e Itália, na faixa etária de 13 a 60 anos. Temos em nossos quadros alguns ex-pilotos aposentados’’, afirma o presidente da Ceaero, Marcos Vasconcelos (leia a entrevista a seguir). A companhia aérea virtual do Ceará faz parte de uma holding de empresas também virtuais, dentre elas uma companhia de viagens e turismo, uma de taxi aéreo e até uma empresa aérea de transporte de cargas. As VAs são tão organizadas e administradas com tanta seriedade que até existe para elas um mercado de ações internacional, o VASX (Virtual Aviation Stock Exchange), no endereço ‘‘http://www.vpmag.com/vasx2’’. O valor de cada empresa neste mercado depende de fatores como a quantidade de participantes, número de acessos ao site e vôos realizados. Nestas empresas, os pilotos participam de um plano de carreira que varia de acordo com suas horas de vôo. No caso da Ceaero, os mais experientes recebem o galão de ‘‘Comandante’’ e podem tornar-se sócios da empresa. Os sócios participam de atividades decisórias e de projetos. Toda essa aproximação da realidade têm atraído muita gente. Um dos muitos pilotos virtuais de Fortaleza é o estudante Roberto Ramires, 16 anos, conhecido na Ceaero como Cmdt. Ramires e que está na empresa desde o ano passado. ‘‘Quem não conhece o Flight Simulator acha que é um simples jogo de computador e acaba enjoando. Com as companhias virtuais, tudo fica mais próximo do real’’, diz. Depois de mais de 120 horas de vôo nos 737 da Ceaero, o ‘‘comandante’’ Ramires pretende ganhar os céus de verdade. Para isso, fará o curso de piloto privado no final do ano. Outro comandante da Ceaero é o físico João Bosco Leal Júnior, o Cmdt. Leal, 27 anos e com 159 horas de vôo pela empresa. Também amante da aviação, o ‘‘comandante’’ Leal Júnior já chegou a pilotar aviões de verdade. Para provar a magnitude de seu gosto pelos aviões, basta o fato de que Leal Júnior tirou seu brevê (licença para pilotar aeronaves de verdade) aos 18 anos, antes mesmo de tirar sua carteira de motorista. Há cerca de cinco anos ele também se aventura em vôos diários no computador. ‘‘O simulador ajuda a entender alguns fundamentos da aviação real, como o vôo por instrumentos’’, afirma Leal Júnior, com a experiência de quem já pilotou aviões no mundo real e no virtual. Estudante ou não, físico ou não, todos não escondem o encantamento quando uma aeronave, pesando toneladas, desafia as leis naturais, desgruda do solo e desaparece entre as nuvens. É o sonho de Ícaro que se torna acessível a todos. Graças a Santos Dumont - e a quem inventou o computador... Ebenezer Fontenele Extraído de Diário do Nordeste, 30/05/1999 |
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