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Carta do EditorDe repente caiu do céu. Nos últimos 10 meses, a aviação brasileira vem passando por uma crise nunca antes imaginada. Esta se iniciou com o choque do Boeing 737 da Gol com o Legacy 600 da Excel Air. E agora mais um capítulo desta, o acidente do vôo 3054 da TAM. Desde então, não conseguimos enxergar nenhuma providência para sanar esta crise. A situação vem se agravando a cada vez mais, desde greve de controladores, até gesto obsceno de assessor de ministro. Recordo-me quando no fim de setembro passado, chego a minha casa, sendo abordado com a seguinte afirmação: - Tem um avião da Gol perdido. Respondi: - Será que ficaram sem combustível igual ao VRG do Garcez. Para espanto meu e de todos que conhecem a aviação, as notícias não eram boas. Um choque entre duas aeronaves ultra-modernas em pleno vôo. As investigações trazem notícias ainda piores, uma tripulação que voa um equipamento sem ter o conhecimento necessário e um controle de tráfego que não faz nem suas obrigações básicas. De lá para cá as coisas tem piorado constantemente, em dezembro quem quis voar não conseguiu sair do chão, porque, segundo a ANAC, as empresas venderam pelo menos 30% a mais de bilhetes do que cabiam nos aviões, e as empresas se defendem dizendo que o problema foi manutenções não previstas. E esse empurra-empurra se prolonga até hoje. No começo do ano, vemos o Presidente exigir respostas e soluções, e não conseguimos enxergar nada de concreto. As gestoras da nossa aviação estão inertes, sem mover uma palha. Os controladores por sua vez, cansados de tanto trabalho e do baixo salário, vêem sua classe envolvida diretamente no acidente do vôo 1907, e resolvem trabalhar como manda o manual. De tanta pressão eles acabem resolvendo fazer greve e param o país em um final de tarde de sexta-feira. Acusados de motim e vendo que sua atitude só estava piorando a situação resolveram voltar ao trabalho. No começo da alta temporada voltam os problemas nos aeroportos, operação padrão, aeronaves com problemas e excesso de passageiros. Por fim no último 17 de julho, uma aeronave Airbus A320 lotado, se choca contra o prédio da sua proprietária, após varar a pista sem conseguir parar. O mundo desaba sobre a aviação como todo. Caros Leitores, essa crise é reflexo de anos e anos de má gestão, aeroportos em estado precário, pistas sem manutenção e uma gestora que não pode gerir diretamente seus recursos. Muitos me perguntam. É seguro voar? Eu lhes respondo voar é muito seguro, mas no Brasil esta ficando complicado. O que observamos nos últimos tempos, é uma represa estourar, fruto do sucateamento dos cargos de gestão, que deveriam ser ocupados por técnicos e que nas últimas duas décadas vem sendo ocupados por políticos. A aeronáutica faz o que quer com os Sargentos Controladores. Fontes lá de dentro afirmam que controladores são afastados por tentarem seguir as regras, ou você faz o que mandam ou vai pra geladeira, pior se você é uma “persona non grata” eles te empurram para uma área, para controlar apenas “pipas” e “papagaios”. As companhias são um verdadeiro “baú de sete chaves”, o que elas falam, nós acreditamos, pois a transparência é zero. Madrugada de segunda-feira, POA, um A320 arremete para não se chocar com um 737 que estava na RWY. A tripulação só fez um comunicado depois que já estava em solo. Resultado, pânico nos passageiros até que o avião parar na pista. Trecho retirado do site globo on-line: “...o avião já estava a 10 metros do chão quando...” Gente, só se a tripulação for cega e estiver com o rádio desligado. A noite, podemos ver de longe uma aeronave na pista, e pelo rádio ele escuta se a aeronave já deixou o a RWY ou não. Transparência evita que esse tipo de coisa saia na imprensa. O governo, a esse ai leva culpa por tudo, na minha modesta opinião, é o maior responsável, olhem o que eu estou dizendo responsável e não culpado. O governo herdou uma situação que poderia ter sido evitada com ações, que se feitas no devido tempo, seriam simples, mas que agora para se fazer, vai custar caro. Não estou falando só de dinheiro, mas também de esforço e de desgaste, muito desgaste. A INFRAERO, sucateada, e a ANAC, parecem mais um guardar-roupas de tanto cabide que existe. Isso mesmo a ANAC é um grande cabideiro de empregos para os aliados da “situação”. O Presidente não consegue gerir a crise porque não tem pessoas capacitadas, para lidar com a aviação, nos “postos chaves” e se não fizerem uma mudança rápida na gestão da aviação a tendência é piorar até o ponto que não sairá mais nenhum avião do chão. Confesso que estou com medo de viajar de avião. Tenho duas viagens marcadas, uma para setembro e outra para outubro, e o meu medo não é de voar, mas sim de não saber quando partirei, e quando chegarei. VOAR É SEGURO! Roberto Ellery
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