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ARTIGO
Exemplo a não ser seguido.
Como já havia contado em outros artigos, há uns 5 anos trabalhava
em uma empresa de táxi aéreo do sul, fazia a rota entre a capital
Porto Alegre e o interior do RS e todo seu litoral.
Eu acabara de levar
um rapaz e seu filho à Bagé, como não havia ninguém
interessado na viagem de volta, resolvi retornar logo após o meio dia,
enquanto almoçava, pedi a um rapaz do serviço de terra que completa-se
os tanques de combustível das asas do Cessna, almocei sem muita
pressa, prestando atenção à tv que noticiava a previsão
do tempo, lá pela uma e meia da tarde, fechei a conta no bar do aeroporto
(por sinal muito caro), e fui de encontro ao avião, chegando lá
percebi que o avião estava abastecido e o rapaz havia limpado o pára-brisa
para mim, lhe dei uma generosa gorjeta (por conta da empresa de táxi, claro),
fiz uma breve checagem em volta do avião, verificando pneus e superfície
de controle, entrei no avião, sintonizei os rádio e verifiquei o
nível dos tanques de combustíveis, tudo OK, levantei vôo em
direção à capital.
Depois de uma hora e meia de viagem,
estava à 30 minutos de Porto Alegre, quando percebi que o nível
do tanque da asa direita baixara o dobro do previsto, ficando apenas com 1/4 da
capacidade, ao contrário do esquerdo que estava com 2/4 do total. Fiquei
preocupado, verifiquei os instrumentos do motor, para minha surpresa eles estavam
normais, fiz contato com a torre, e comuniquei o fato, de imediato fui autorizado
para pouso na pista 29, enquanto me aproximava da capital selecionei o tanque
de combustível esquerdo, para que assim o avião se equilibrasse
um pouco, já que puxava assustadoramente para a esquerda, aos poucos ele
foi se estabilizando, e para minha surpresa o nível do tanque direito parara
de baixar, mas quando estava na curva final para alinhamento com a pista 29, pude
perceber que na asa direita escorria combustível batendo no vidro lateral,
de imediato entendi o problema, o imbecil do rapaz que abasteceu deixou o bocal
do tanque aberto, que fica na parte superior da asa, fazendo assim com que eu
perdesse o combustível durante o vôo. Mas porque só pude entender
o fato na curva final? Porque o resto do combustível derramou na asa, e
como eu estava em baixa velocidade ela não "respingou" e sim
escorreu pela asa até o vidro.
Pousei e taxiei até o hangar
da empresa, assim que pude, subi na asa e confirmei as suspeitas, a tampa do combustível
não estava lá, ou o rapaz não a botou em terra, ou ele não
apertou devidamente e ela veio a se soltar em pleno vôo. Isto fica de exemplo
para quem tem como eu tinha, o costume de apenas olhar em volta do avião
achando que está tudo ok, todo cuidado é pouco, quando se fala de
aviação. Abraços e até a próxima.
Guilherme Oliveira dos Santos
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