ESPECIAL
Nevoeiro Na Final
Certa vez chegando
de Santa Maria (sbsm), interior do RS, já quase no localizador externo
do ils de Porto Alegre (sbpa), estava a 1 ou 2 km do Rio Guaíba, dava quase
pra ver a ponte móvel, não fosse o terrível nevoeiro, pra
quem conhece o Rio Grande do Sul mais especificamente Porto Alegre sabe que é
comum numa manhã de inverno este nevoeiro, responsável por fechar
inúmeras vezes por mês o Salgado Filho.
Estava
tudo propenso a este acontecimento, eram exatamente 07:00 da manhã, eu
tinha partido às 5:45 de Santa Maria, acordado por um homem grisalho que
tinha um compromisso às 7:30 na Capital e precisava de um Táxi Aéreo.
Era o mês de julho (o auge do inverno), quando decolei de Santa Maria ainda
era noite, e o controle me avisou de um forte nevoeiro perto da serra (meio do
caminho e não chegando em Porto Alegre), realmente ele estava lá,
mas o superei sem problemas (tirando a turbulência que quase fez o homem
enfartar).

A torre do sbpa estava prestes a fechar a pista, mas quando me viram interceptando
o marcador externo, resolveram que eu seria o último a pousar naquela manhã,
sintonizei o ILS e fui em direção a pista, mas à medida que
ia aproximando, a visibilidade diminuia e a tensão aumentava, o Cessna 182
balançava como um cabrito e cada vez ficava mais difícil manter-me
no rumo, já que a medida que se aproxima os instrumentos ficam mais sensíveis
a desvios.

Eu estava a menos de 3 km da cabeceira da pista, quando subitamente ouvi um estouro
vindo do painel e tudo se apagou desde as luzes até o rádio, o chiado
comum nos fones foi trocado por uma sensação de espanto e medo ao
mesmo tempo, rapidamente marquei o rumo na bússola e tentei segui-lo, diminui
a velocidade quase entrando em estol para poder assim ter mais tempo para manobrar
o Cessna, então pude ver o brilho das luzes da aproximação
que cortam os trilhos do trem até a avenida que passa entre eles e a pista.

Não tinha mais tempo para arremeter o Cessna estava sem força para
isso, nós iríamos estolar e cair a poucos metros da cabeceira. Calmamente
fui planando atrás das luzes que eram minha única referência,
até que toquei a pista, ou melhor, a pista e a grama, pois a roda esquerda
ficou na pista e a direita na grama, o Cessna tremeu todo, pois havia um grande
desnível entre a pista e a grama, percorri poucos metros e parei, olhei
para o lado e tive um susto, o homem acabara de urinar no banco do avião,
calmamente o retirei da cabine e o levei ao serviço médico do aeroporto,
mas felizmente foi só um susto, e que susto.

Para vocês que estão começando agora na Ceaero, deixo uma dica,
nunca dependa exclusivamente dos instrumentos tenha sempre muita prática
não só em ocasiões fáceis mas também difíceis
como esta que passei no início de minha carreira. Hoje em dia moro em Fortaleza
e sou piloto da Ceaero.
Abraços a todos.
Guilherme Oliveira dos Santos