ARTIGO
A Ceaero visita o simulador de vôo da VARIG.
Neste mês passado, aconteceu, aqui no Rio de Janeiro, um grande evento sobre realidade
virtual, patrocinado por várias empresas de renome no cenário nacional, entre elas a
VARIG, que promoveu visitas ao seu Centro de Treinamento Operacional, onde se localizam os
simuladores de vôo da empresa. Em uma destas visitas, acompanhado pela simpática figura
do (ainda não na época, foi convencido no caminho...) 1st Of. Maurício Grille,
conhecemos o simulador do boeing 747-300.

acima: a cabine do simulador, com sua vista externa.
A visita consistia de um pequeno vôo, que decolava de uma das pistas do Galeão,
sobrevoava Niterói e voltava, para pousar na outra pista. Alguns afortunados, (e
teimosos...:-) como o 1st Of Grille, puderam voar um pouco, controlando a
"aeronave". Mas, na maioria dos casos, quem procedia o vôo era um técnico da
empresa.
Como bom reporter, além de fotografar tudo, colhi uma série de curiosos dados sobre o
simulador do 747. A comecar pela configuração completamente analógica do painel. Nada
de CRTs, sequer instrumentos digitais simples. Tudo nos reloginhos. Os mostradores de
dados dos motores, faziam então, um interessante ruido mecânico, dos números passando
nas fitas. Muito interessante. Interessante também era a destreza do técnico que pilotou
o avião. Pilotava com facilidade, como quem anda de bicicleta. Taxiou rapidamente a
aeronave pela pista, apenas comandando as manetes dos motores. E fez um pouso muito
embicado, veio muito alto para a final. Mas pousou com suavidade, certinho na pista. O
enorme jumbo, parecia ser extremamente dócil aos comandos, e incrivelmente ágil para o
seu tamanho.
Algumas soluções de projeto e
engenharia, fazem do simulador de vôo, uma máquina extremamente engenhosa, e até mesmo
surpreendente. Por exemplo: como simular a inércia resultante da força dos motores, na
hora da corrida para decolagem, se o simulador não possui movimento horizontal no
chão? Ele simplesmente junta a vibração causada pelos amortecedores que sustentam a
cabine, com uma leve inclinação de uns 15 graus, que dá a impressão a quem está
dentro da cabine, que há uma força nos puxando para trás. Na decolagem, a inclinação
aumenta, devendo chegar a quase 45 graus. Simples e genial.
Outra solução
intrigante, é como o simulador obtém a profundidade em suas imagens externas. Na
verdade, ao contrário do que se imagina, as janelas da cabine não são telas ou
monitores digitais. São transparentes, de vidro. Por fora, uma "pele" de
material flexível e reflexivo, é inflada com ar, e toma a forma de uma bolha, que
envolve o cockpit. Nessa "bolha" é que são projetadas as imagens. O formato
esférico da projeção, por dentro da "bolha", é que permite a sensação de
profundidade que temos dentro da cabine. Como todos sabem, os gráficos do simulador
realmente não se comparam aos do Flight Simulator. Mas não são paupérrimos. Existem
detalhes como a textura da pista de pouso, com as marcas dos pneus, os prédios do
aeroporto e alguns landmarks, como a Ponte Rio-Niterói. E a visão do entardecer, com a
cidade iluminada, é realmente emocionante.
Outra coisa
interessante e até um pouco óbvia, que eu notei no simulador: não existe na cabine o
FMS, e os instrumentos de navegação não funcionam. Nem seria necessário. O simulador
serve basicamente para treinar procedimentos de emergência, e não navegação.
Foi realmente uma
experiência fantástica. Durou pouco mas deu um gostinho do que deve ser a dura e
maravilhosa vida desses heróis do ar, que tem para sempre, a inveja leal e cordial deste
piloto frustrado. Mas, prometo, que se ganhar na loteria algum dia, eu compro um
brinquedinho desses para mim.
MarcosVP.

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