REPORTAGEM
Pinto Martins: Orgulho Cearense
Desde a inauguração, há pouco mais de dois anos, do novo aeroporto internacional de
Fortaleza, o mesmo me intrigava. Uma obra feita às pressas, e que, de repente mudava toda
a paisagem do Pinto Martins. Sinceramente, o aeroporto ainda não havia me seduzido, ainda
mais a mim, um "cearense" há tantos anos longe de casa e com tantas boas
lembranças do "velho" aeroporto. Bem, no dia 31 de janeiro de 99, eu iria
finalmente tirar a prova.
Embarquei no velho PT-TEG da Transbrasil, um 737-300 batizado de "Brigadeiro Eduardo
Gomes" (Um aparte: muito mais confortável e espaçoso que os -300 da VASP...) rumo a
Brasília e Fortaleza. O vôo foi calmo, a escala rápida. Agora, faltava chegar a
Fortaleza.
Minha primeira surpresa foi me ver ao lado da Serra de Pacatuba, palco do tragico acidente
com o 727-200 da VASP em 1982. Depois de vários pousos em FOR, nunca havia passado tão
perto dela. Alguns dias depois, viajando pelo sertão do Ceará, passamos pela cidade de
Pacatuba e notamos como esta serra, que limita os mínimos de segurança do Pinto Martins,
é baixa, o que torna mais grotesco ainda o acidente de 82.

acima: a Serra de Pacatuba, próximo a Fortaleza.
Continuando o vôo, notei que os procedimentos para a aproximação em Fortaleza também
sofreram mudanças. Agora, os pilotos fazem um certo "charme" e sobrevoam a
cidade. Tive a sorte de estar no lado certo da aeronave e pude obter belas fotos. O tempo
estava clareando, apesar de um pouco nublado.

acima: a barra do rio Ceará, um dos dois que limitam a cidade de Fortaleza.
O novo aeroporto me impressionou bastante na chegada: bonito, bem construído, sólido
mesmo. Contudo, não tive chance de conhecê-lo melhor na chegada. Prometi a mim mesmo uma
visita a ele em ocasião melhor. Esta ocasião apareceu no dia em que, passeando pelos
arredores de Fortaleza, na colônia do SESC de Iparana, ví um A330 da TAM em
procedimento de pouso. Marquei hora e dia: segunda-feira, 13h. Estaria lá na próxima.
A segunda-feira escolhida por mim, foi um dia chuvoso e nublado. Pouco importava. O que eu
queria era conhecer melhor o aeroporto e fotografar o Airbus da TAM, que eu veria pela
primeira vez ao vivo. Novamente fiquei impressionado com a beleza do Pinto Martins (nota:
Pinto Martins é o nome do aviador cearense que realizou o primeiro vôo entre as cidades
do Rio de Janeiro e Nova York.) O aeroporto é extremamente funcional, elegante em sua
arquitetura sinuosa, tem bons serviços, um acesso privilegiado, fica bem perto do centro
da cidade (não perto demais) e o melhor, um terraço excelente, com ótima visão de toda
a pista. Visto o aeroporto, passei a esperar o que eu passaria a chamar de
"pavão" da TAM...
Enquanto esperava o A330, eu assisti a duas aproximações normais, de dois 737-300, ambos
da Transbrasil. Aproximações longas, a aeronave passava por cima do aeroporto,
perpendicularmente à pista, na direção do mar e procedia uma curva bastante
aberta à esquerda, para fazer a final na pista 13 (a mais utilizada). Nessa curva, o
avião saia por alguns minutos (em torno de 6) do campo de visão do terraço.
Eis que surge o A330, vindo da mesma direção, mas consideravelmente mais baixo e com o
trem de pouso baixado. Nessa hora, minha esposa perguntou se tinha 5 minutos para ir ao
banheiro e voltar para ver o pouso. Eu disse que sim, claro. Mas me enganei.
Inesperadamente, o gigantesco Airbus fez uma curva fechadissima à esquerda e, sem sair do
campo de visão do terraço, alinhou e pousou na pista 13...em menos de 4 minutos...
Minha esposa voltou e o avião já havia pousado. Expliquei, apavorado o que tinha
acontecido, e ainda disse: - isso nao deve ser procedimento normal, o piloto deve ter
resolvido se exibir, só pode...
Mal sabia que isso não seria uma cena isolada. Dessa vez, com minha esposa como
testemunha, outro A330 apareceu, e repetiu, sem tirar nem por, o mesmíssimo procedimento:
curva fechadíssima e pouso - ainda melhor que o anterior - na pista 13...

acima: o PT-MVC taxiando, no momento do pouso do outro A330...não é montagem!
Depois de recuperar o fôlego, pude tirar várias fotos do MVC, o famigerado "The
Magic Red Carpet". Exatamente como um pavão de plumagem aberta, ele deslizou suave
em frente ao terminal, mostrando um procedimento que pude conferir depois em relação a
outros aviões de maior porte, como os 767s: por conta da grande envergadura de suas asas,
o taxi é realizado nas taxiways localizadas do lado esquerdo da pista 13, enquanto
aeronaves menores, como os 737, taxiam normalmente do lado direito. Explico: é que do
lado direito da pista, ficam estacionadas, embaixo casinholas cobertas, as aeronaves
Xavante da base aérea de Fortaleza, bem próximas à pista de taxi. Vejam na foto abaixo,
que o DC-10 vem pelo lado esquerdo da pista e a atravessa em sua cabeceira. Em amarelo, do
lado direito, ficam as casinholas da base.O terminal, mais à direita, não aparece.

Finalmente, para terminar a reportagem, eu não poderia ter deixado de verificar o que foi
feito do antigo terminal de passageiros do Pinto Martins: hoje se chama "Terminal de
Aviação Geral" e serve para companhias de Táxi Aéreo e Carga. Na foto acima, é o
pátio de cor amarelada, logo atrás do DC-10. Confesso que senti uma certa tristeza, ao
ver o antigo terminal completamente desmontado, sem graça, sem nada. Sobrou apenas a
emoção de fazer a curva na Luciano Carneiro, pertinho da torre e as lembranças de
inúmeros momentos felizes que passei por lá.
De qualquer forma, o novo aeroporto, ainda que não tenha tido tempo de nos gerar belas
lembranças, é motivo de orgulho e certeza de um belo futuro para a aviação comercial
no Ceará.