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AVALIAÇÕES
O novíssimo ATR42-500 está disponível para testes.
                               Desde o dia 30/01, está em Fortaleza a novíssima aeronave Alenia Aerospatiale ATR42-500, que será avaliada pelos pilotos da Ceaero, como parte do programa para a substituição dos Fokkers F27. O avião de demonstração, trazendo técnicos e diretores comerciais da fábrica, veio da França, passou pelos Estados Unidos, onde foi avaliado pela American Eagle, e veio descendo as Américas, passando pelo México e pela Colômbia, onde também foi avaliada pela empresa Aces. De Bogotá, a aeronave seguiu  para Fortaleza, fazendo escalas técnicas em Manaus e Belém.

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acima: atingindo altitude de cruzeiro, sobre um céu carregado em Manaus.

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acima: chegada a Fortaleza, no novo terminal do Pinto Martins.

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acima: a aeronave, já em processo de parada dos motores

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acima: com os motores desligados, no terminal do Pinto Martins.

                        A aeronave pousou de tarde em Fortaleza, onde os diretores comerciais desembarcaram e seguiram para a administração da Cia. A aeronave ficará baseada em Fortaleza durante todo o mês de fevereiro, onde deverão ser feitos testes de avaliação pelos pilotos. Os testes são livres e não obrigatórios, mas a presidência da Cia. deseja informar que a aeronave é uma fortíssima candidata a substituir os F27, e que, no momento, detém as melhores condições do mercado para fazê-lo, inclusive uma proposta para equipá-la com rotores transparentes, a última novidade no mundo dos afxs.
                        A revista Aero Virtual, através do renomado piloto Fábio Miguez, está realizando um teste minucioso com a aeronave. Aqui na Ceaero, o Cmdt Soc. Osmar Calixto, foi incumbido de fazer um pré-teste, antes da Aero Virtual. Leia o relato abaixo:

"Relatório de Avaliação da Aeronave Alenia / Aerospatiale ATR-42-500

              Quando soube da possibilidade de um dos pilotos da Ceaero testar a última geração do ATR-42, fiquei muito interessado, pois antes de entrar para a Ceaero eu havia voado muito com o ATR-42-300 pela Pantanal (foi uma das primeira aeronaves que voei) e ela de certa forma já me era conhecida e por que não, especial. Assim ofereci-me para fazer o teste desta que guarda muita semelhança com os "irmãos" mais velhos (ATR-42/72 série 300), mas possui uma instrumentação mais moderna e condizente com a operação além do ano 2000. Maior surpresa foi quando recebi a confirmação: O ATR-42 estaria me esperando no Pinto Martins em Fortaleza para avaliação antes de ser avaliado pela equipe (excelente, diga-se de passagem...) da AeroVirtual.

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acima: o pratico e moderno cockpit do ATR42-500


              Levando em conta essa informação, gostaria de dizer que, como a AeroVirtual irá avaliar a aeronave "tecnicamente", resolvi fazer um teste mais "solto", mais parecido com um vôo normal, preocupando-me apenas em compará-la com as nossas outras aeronaves, inclusive aquelas a quem o ATR pretende substituir. Assim, resolvi fazer um vôo para Belém do Pará, que possui um excelente aeroporto (juntamente com o Eduardo Gomes de Manaus) verificando o comportamento do ATR em um vôo "normal".

                  Na segunda-feira (18/01) eu já estava as 08:00 da manhã no Pinto Martins para um rápido briefing com os técnicos da Alenia/Aerospatiale sobre as características da aeronave. Após o briefing acompanhei o roll-out da aeronave, e junto com os técnicos fizemos um walk-around mais detalhado que o normal, pois os técnicos insistiam em mostrar todos os detalhes da aeronave a medida que completávamos a volta na mesma. Ao subir ao cockpit passei pela cabine de passageiros e constatei o que já havia visto nos -300. Como é fácil aumentar/diminuir a razão entre espaço de carga e passageiros. Uma solução simples mas que para pequenas empresas traduz-se em agilidade e consequentemente em mais flexibilidade no atendimento e prestação de serviços.

                  As 09:46 após a checagem e start do motor 2 (padrão ATR) realizamos o táxi até a cabeceira da 31. Após liberação do controle e motor 1 funcionando, começamos a rolar suavemente pela pista. Solicitei ao GPWS que marcasse a rotação em 120 kts, apesar do ATR "descolar" facilmente aos 99 kts, mesmo porque queria sentir o avião um pouco mais antes de deixar o asfalto. Para isso é necessário manter o nariz baixado, caso contrário teríamos decolado mais cedo.

                  Com o controle aéreo liberando ascensão direta para FL 150, mantivemos a razão de subida em 1800 ft/min, sendo o normal (com carga de 15 toneladas) 2100 ft/min, enquanto virávamos para proa 304 em direção a Belém. Após estabilizarmos, reduzimos a potência para 75%-80%, de forma que atingimos uma velocidade de cruzeiro de 255 kts (sendo a máxima 265 kts e a econômica 243 kts). O vôo correu tranqüilo por todos os waypoints do plano, sem nenhum incidente. A aeronave, já haviam me dito, foi feita para se voar no piloto automático. E realmente é verdade. O comportamento é dócil, sem balanços ou constantes trimagens. Após cruzarmos o Piauí e Maranhão, nos aproximamos de Belém. A mais ou menos 100 NM de Belém começamos, após autorização do controle, a descida para FL 070, de modo a iniciarmos a aterrissagem. Quando captamos o controle de Belém, solicitamos permissão para pista 06 e iniciamos a entrada no circuito de aproximação pelo ILS 109.30.

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acima: na final para o pouso no aeroporto de Val-de-Cães, em Belém.


                Um único fato inusitado aconteceu após estabilizarmos a 7000 pés. Como no início da descida baixamos a potência para 56%, após a estabilização o ATR perdeu velocidade mais rapidamente que as outras aeronaves da nossa frota. Os Boeings (e até mesmo o Caravan) voam muito bem com "meia potência". Mas o ATR é um pouco exigente neste ponto. Se baixarmos a potência para menos de 65%, teremos de ficar muito atentos ao comportamento da aeronave, pois rapidamente ela poderá entrar em estol (104 kts com o avião limpo e 81 kts com o avião "sujo"), necessitando de uma reação por parte do piloto mais rápida ainda.

               Após alinharmos com a pista iniciamos a final, onde constatei também que o ATR tem uma certa tendência em "baixar o nariz" durante a final, exigindo um controle mais "rígido" após os 500 pés. Quando o GPWS "cantou" 40 pés, colocamos os dois motores em "lenta" e iniciei o flare sobre a pista 06 de Belém. Toque macio e preciso aos 104 kts, corrida curta sem necessidade de usar as hélices em passo reverso, bastando aplicar os freios livrando a pista na primeira taxiway. Após estacionarmos e desligarmos os motores, as 12:06, descemos do avião e observamos (mas não pela última vez, eu espero) o ATR-42-500.

                  Bem, o relato do vôo esta aí. Mas não consigo ser muito imparcial com um avião que admiro e conheço a tanto tempo, portanto vou colocar minha opinião pessoal: O ATR-42 é um avião muito bom de se voar, macio e preciso. Já voei com muitos turboélices como os Dornier 328, G.222, Casa 235, Buffalo, e os nossos Fokker F27, mas em nenhum deles eu me senti tão bem quanto nos ATR-42. Não pude participar da avaliação das outras aeronaves, como o Ilyushin, mas certamente o ATR poderá participar da frota da Ceaero, com larga vantagem sobre outros concorrentes e sobre a aeronave a qual ele poderá substituir.

Cmte Soc Calixto
CE116"

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