
EDITORIAL
Simular e Fingir.
Certo dia,
um colega de trabalho, veio me perguntar sobre esta Cia. Virtual da qual eu tanto falava,
e com a qual eu divido o meu tempo no emprego, há muitos meses. Enquanto eu explicava o
funcionamento da Cia. para ele, ele me fez a seguinte pergunta: - "quer dizer que
vocês fingem que são uma Cia. de verdade?"
Eu fiquei com
aquela pergunta na cabeça alguns dias. E depois de muito analisar, eu pude responder a
mim mesmo: - Não! Ninguém finge nada por aqui. Porque fingir, não é simular. Quem
finge, mente. Quem simula, imita.
Quando eu me
toquei dessa diferença, eu pude perceber a grandeza que pode ter uma situação simulada.
Começando pelo simulador da VARIG onde estive no mês passado. Quantas vidas aquela
máquina não ajudou a salvar mundo afora, ao treinar os pilotos para situações de
emergência que podem ocorrer em aviões reais?
O mesmo
ocorre com a nossa Cia. Quando eu resolvi simular uma empresa aérea, eu não supus que
esta simulação poderia vir a me ajudar tanto na minha vida real. Eu me deparei com
erros meus. Dificuldades minhas, como pessoa. Me deparei com fracassos. E a forma como eu
enfrentei todas essas situações, não é diferente da forma que eu deverei enfrentar
situações semelhantes na vida real. Da mesma forma, o sucesso em determinadas ações e
idéias, demanda uma grande responsabilidade, uma atitude, uma postura. E todas as minhas
atitudes e a minha postura diante desta simulação, na qual eu exerço um papel de
liderança, serão certamente um espelho do que eu poderei vir a fazer na vida real.
A internet,
as listas e as VAs são microcosmos do mundo real. Nossos sucessos e fracassos reais, são
como nossos sucessos e fracassos virtuais. Isso quando a gente se dispõe a
"simular". E na Ceaero, a intenção é essa. É fazer o melhor qua a gente
puder, mas nunca, jamais, fugir do compromisso com a realidade de nossa simulação. Se
não houvessem os erros, as discussões, os problemas, as dificuldades, o desânimo...e a
motivação, a superação, a vontade de acertar, o sucesso e a realização, nada do que
fazemos teria muita graça. Seria fingimento, seria "mise-en-scéne".
Por isso, é
necessário que encaremos a simulação, da mesma forma com que encaramos a vida. Para que
ela nos seja útil. Para que ela nos valha de alguma coisa. E se formos pensar, é um
ensinamento diário, o que esta convivência nos proporciona. Tanto de entusiasmo e
encorajamento, como de decepção e frustração. Mas o que é a vida senão uma sucessão
infinita de altos e baixos?
O que importa, é o que
fazemos com as coisas que nos acontecem. Eu tomei a decisão de levar a sério o meu papel
e principalmente, aprender com todas as experiências, boas e ruins que este papel me
proporcionar. Sejam elas quais forem. Não vou fugir da derrota, não vou fugir de
fracassos, não vou fugir de erros. Mas vou dar o sangue para aprender, crescer e mudar a
cada dia.
Pois, se eu parar de ser
coerente, e colocar nesta simulação, o meu ideial, e o meu desejo em detrimento da
verdade, eu não estarei mais simulando, e sim, fingindo.
E a única pessoa que se
consegue enganar nessas horas, é a si mesmo.
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